Depois de muitas tentativas de encontrar um dia bom pra todo mundo, finalmente conseguimos estabelecer a sexta-feira 13 para uma reunião de colegas da faculdade na casa de uma delas. A ideia era nos conhecer melhor e, claro, nos divertir. Ainda no início da noite, por volta das 22h, os celulares começam a alertar com notícias de explosões e fuzilamentos. A gente liga a tv, mas o jogo França x Alemanha ainda tá passando e o acontecido não parece ser tão grave.

A gente desliga a tv e volta a conversar, comer, beber… as notificações nos celulares vão ficando mais frequentes, pessoas começam a falar em todas as redes e ligamos a tv de novo. Era coisa de 10, 15 mortos. Era ruim, mas ainda não parecia tão grave.

Quando vai chegando 0h, 1h, a gente começa a perceber o que tá acontecendo. A TV permanece ligada e agora todo mundo tá olhando as notícias e respondendo mensagens no whatsapp, facebook etc. A noite termina, não tem mais clima pra continuar e aí eu volto pra casa e durmo.

Foi quando acordei e que comecei a olhar o site do Le Monde e do G1 que comecei a ver a gravidade. Vídeos, fotos, depoimentos, repercussão nas redes sociais, pessoas que aparecem do nada nas redes sociais pra perguntar como eu tô, onde eu tô. Estou fisicamente distante de Paris, mas o choque é real e tá aqui dentro do meu quarto. Cada sirene de ambulância que escuto ao longe eu lembro dos atentados e penso “será que tá acontecendo algo por aqui também?”. Mas aí é só uma ambulância, se não tem outras dezenas ao mesmo tempo é porque tá tudo bem.

Não posso imaginar o terror que as pessoas passaram dentro da casa de show Bataclan. Um policial contou que quando entrou já no fim, com todos os corpos pelo chão, o único som era o dos telefones que tocavam sem parar.

Sábado e domingo eu fiquei dentro de casa, não tinha clima pra sair na rua. Na segunda, tive aula. O professor chega e ao avisar que vai respeitar o minuto de silêncio às 12h (que é feito no país inteiro), se emociona. Meio-dia: todo mundo se levanta, fazemos 1 minuto de silêncio e cantamos o hino da França. (Sim, a letra do hino francês é controversa, mas o hino é um símbolo. Imagina mudar o hino do Brasil? Não quero discutir isso aqui). Tá todo mundo chocado e não se fala de outra coisa.

Na praça principal da cidade, as homenagens tomam conta do chão, das paredes… os residentes do meu prédio colocam velas na janela… as redes sociais tão tomadas por mensagens de apoio… é tudo muito louco. Ainda tô tentando digerir tudo isso.

Algumas imagens das homenagens em Toulouse:

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